Ansiedade atinge 86% dos brasileiros durante a pandemia

Os dados são do Ministério da Saúde em pesquisa sobre saúde mental dos brasileiros durante a pandemia de Covid-19




Mariana Santos relata sintomas de ansiedade e desespero durante o isolamento social, além do desgaste na relação familiar



A confirmação do primeiro caso de Covid-19, aqui no Brasil, veio em fevereiro, dois meses após a descoberta do vírus em Wuhan, na China. Quando passamos a conhecer o vírus de perto, já sabíamos as medidas capazes de conter a contaminação da população: higiene das mãos com sabão ou álcool 70º INPM, máscara e o distanciamento social ou físico, como alguns cientistas preferem denominar o afastamento presencial, entre as pessoas.


Só que um dos efeitos de estar longe fisicamente dos amigos, família e sociedade em geral, é o prejuízo da saúde mental. Já prevendo o desenvolvimento de transtornos psicológicos de toda a população mundial por conta da situação pandêmica, alguns países iniciaram uma pesquisa sobre o tema, dentre eles, o Brasil. A pesquisa do Ministério da Saúde sobre “a saúde mental do brasileiro durante a pandemia da Covid-19” foi feita entre os meses de abril a maio de 2020 e disponibilizada em setembro do mesmo ano.


O estudo tem como objetivo acompanhar a evolução dos transtornos citados pelas pessoas que participaram da primeira etapa por meio de formulário. A primeira contou com a participação de 17.491 voluntários com idades entre 18 e 92 anos. Nesta fase já foi possível verificar a grande quantidade de pessoas com ansiedade, um percentual de 86,5%. Já 45,5% dos participantes apresentaram estresse pós-traumático, e apenas 16% apresentaram depressão profunda, em sua forma mais grave. Infográfico: Saúde mental durante a pandemia de Covid-19

O publicitário Douglas Dias, 26, acreditou, assim como muitos brasileiros, que a pandemia duraria apenas algumas semanas e depois tudo voltaria ao normal, após ver que ao passar do tempo as coisas pioravam, começaram os problemas. Um deles foi o desgaste na relação familiar. “O emocional ficou abalado, a convivência ficou complicada porque vendo as mesmas pessoas todo dia, sem poder sair, extravasar e tendo a privacidade limitada, ficou muito complicado”, fala o publicitário.

A tensão de ver a situação sanitária do país se agravando, a crise econômica piorando, juntamente com o estresse do distanciamento e o medo de contrair o vírus, fizeram com que Douglas desenvolvesse problemas psicológicos. Afetado pelo contexto citado, ele passou a ter insônia, viu a ansiedade evoluir para um quadro de depressão. Esse quadro psicológico era piorado com o medo de estar com baixa imunidade, devido às noites perdidas, e isso facilitar a contaminação pela Covid-19.


O psicólogo clínico Sérgio Manzione, explica que esse contexto pandêmico favorece o desenvolvimento de transtornos mentais. O medo inicial do desconhecido, afirma o especialista, no caso o vírus letal, deixa o ser humano em estado de alerta. “E isso pode gerar pânico, depressão, ansiedade e outros quadros de instabilidade”, completa Manzione. Além disso, outro ponto destacado pelo psicólogo é a maior convivência com os familiares, visto que pode trazer à tona “questões mal resolvidas anteriores à pandemia”.


O medo do vírus afetou a estudante de 16 anos, Mariana Santos. Ela conta que após a pandemia, fazer atividades essenciais, como ir ao mercado, por exemplo, passou a desencadear crises de pânico nela. A estudante relata que fica ansiosa “principalmente quando estou em mercado, eu fico nervosa em relação às pessoas encostarem em mim”, fala Mariana Santos. O cansaço após quase um ano de pandemia, juntamente com o intenso convívio familiar, também afetam a jovem, que tem sentido “raiva, vontade de chorar e gritar” constantemente.


Manzione fala que essa situação de descontrole e perda da saúde mental é esperada pelos especialistas da área psicológica e psiquiátrica, visto que a situação pandêmica “por si só é geradora de problemas emocionais”. Adicionar isso ao isolamento, à privação de socialização na forma presencial, agrava mais ainda o quadro porque o “isolamento social confinou os problemas pré-existentes de cada um. Um encontro difícil é o da pessoa com ela mesma, pois expõe nosso lado desconhecido para o mundo e para nós, nem sempre estamos preparados para lidar com isso”, diz o psicólogo.


Preste atenção, alguns sintomas são um sinal de alerta


O contexto pandêmico brasileiro tende a agravar mais ainda a situação da saúde mental dos brasileiros, atravessando todos os contextos sociais e econômicos. Por isso, especialistas citam alguns sintomas que precisam de atenção e deve fazer você procurar ajuda: dificuldade para dormir ou sono em excesso, fadiga, agitação psicomotora, dificuldade de concentração e problemas de memória, baixa autoestima, sentimento de inutilidade, perda de interesse ou prazer em atividades que eram apreciadas antes, apatia e irritação.


Foi a partir da observação de alguns desses sintomas que Dias decidiu buscar ajuda psicológica para os problemas que estava enfrentando. Ele passou a fazer terapias com o psicanalista que o ajudou a lidar com as crises de ansiedade, fazendo com que ele não desenvolvesse a depressão. Ele também passou a tratar da insônia, e atualmente, mesmo ainda vivendo sob o estado de alerta por conta do novo coronavírus, o publicitário afirma que o tratamento “foi a melhor coisa que fez no isolamento, pois consegui extravasar e me livrar em parte dos problemas”, conta o publicitário.


Como melhorar a saúde mental durante a pandemia?


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