E esse tal de Rugby?

Conheça e saiba mais sobre um dos esportes mais antigos do mundo, muito praticado na Bahia


“O Galícia vem no setor de ataque. É final do Super XVI. George está sob forte marcação, mas passa para Eduardo. Tentativa de finta... bola passada para o Chileno e capitão da equipe Jonca, que rapidamente encontrou Luiz livre na lateral do gramado... é só correr... e é try. Try do Galícia Rugby. O público presente no Parque Santiago vibra com os cinco pontos da equipe baiana, que larga na frente contra o atual campeão Poli, da cidade de São Paulo. Agora é buscar a conversão e abrir 7x0 na partida”.


Se dependesse dos 35 atletas que compõem o elenco do Galícia Rugby e dos jogadores das outras três equipes que disputam o Campeonato Baiano da modalidade, cenas como essa seriam mais comuns por aqui na Bahia.

Parte do elenco do Galícia Rugby

Mesmo sendo pentacampeão estadual e tendo, nos últimos anos, carregado com as mãos as glórias conquistadas com os pés pelo Esporte Clube Galícia, o futuro do time no rugby ainda é nebuloso, porém carregado de esperanças.


Luiz Gomes, jogador de 26 anos, que veio do Ymborés Rugby, de Vitória da Conquista, entende que o futuro do esporte no estado está nas mãos da Confederação Brasileira de Rugby (CBRU). “Nossa vontade é que a Federação de Rugby da Bahia (FRB) consiga ser reconhecida como filiada, porque nos permite, quem sabe um dia, disputar a Taça Tupi”.

Luiz Gomes, treinando com a camisa do Ymborés

A liga citada por Luiz, criada em 2014, é disputada por oito equipes de cinco estados diferentes, todas das regiões sul e sudeste. O Torneio equivale a segunda divisão do esporte no Brasil; e o campeão, garante vaga direta no Super XVI, primeira divisão.



É importante lembrar que no Super XVI as equipes também são exclusivas das regiões sul e sudeste, tendo representação de seis estados. Somente o Espírito Santo ainda não tem time nas duas divisões.


O presidente da FRB e ex-atleta de rugby, o português Manuel Ribeiro, aponta que essa polarização do esporte no sul e sudeste é um dos problemas a serem enfrentados. Para ele, a aprovação da CBRU é uma maneira de democratizar o esporte no Brasil, possibilitando a participação dos times do estado no Super XVI ou Taça Tupi, onde só é possível se a federação estadual for filiada à nacional. “Solicitamos em 2016 nossa filiação, que desde então se encontra em fase de apreciação. Já fomos adiantados que até dezembro deste ano (2018) teremos uma resposta”.


A corrida pela aprovação já dura dois anos. As últimas ações no estado antes do veredito da CBRU foram as promoções de dois torneios, que ocorreram nos meses de setembro e outubro, o Campeonato Baiano de Union, que reúne 15 atletas de cada lado e foi disputado entre Galícia 41x21 Toruks, na cidade de Cairú - Valença; e a final do estadual de sevens, que reúne sete atletas por equipe, e ocorreu no Estádio de Pituaçu, reunindo diferentes categorias.



Além das organizações dos torneios, para ter a filiação aceita a FRB desenvolveu uma série de ações administrativas, com o objetivo de estruturar o esporte no estado. As criações da Escola de Árbitros (BahiaRef) e Escola de Treinadores (TreinaBahia) possibilitaram a reorganização de regulamentos e cadastramento de clubes e jogadores com mais rapidez. O reconhecimento da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) em relação a FRB, como entidade de utilidade pública, serviu para credibilizar a federação. “O avanço está aí. Hoje temos clubes masculinos, femininos e 400 atletas cadastrados. Estamos no aguardo do conselho da CBRU, que está analisando esses avanços administrativos e as finais do Baianão”, detalha.


Atualmente, o estadual de Rugby XV conta com participação de quatro times de diferentes cidades, rompendo inclusive limites interestaduais: Galícia Rugby (Salvador), Ymborés Rugby (Vitória da Conquista), Serigy (Aracaju-SE) e Toruks Rugby (Porto Seguro), que anualmente se enfrentam em partidas de ida e volta na semifinal, e jogo único na final.



Na FRB, outras seis equipes de XV ainda são filiadas, mas não jogam o Campeonato Baiano por questões financeiras, logística ou administrativas: Itabuna Rugby Clube (Itabuna), ASA Arapiraca Rugby (Arapiraca), Carrancas (Petrolina), Quibaana (Senhor do Bonfim), Adustina (Adustina) e Caxias (Cícero Dantas).


A diretora do Ymborés Rugby e treinadora do time feminino, Clarice Couto, ressalta que o esporte está crescendo na Bahia, mas que ainda opera no modelo amador. Segundo a dirigente, na cidade de Vitória da Conquista, o clube já possui torcida, treina no Estádio Municipal Edvaldo Flores e possui equipes de diferentes categorias. Ela ainda afirma que a difusão do esporte tem gerado interesse da população local em relação ao rugby e ao clube.



Clarice ainda ressalta que a relação com a CBRU é amistosa, mas que vem se aprofundando com o passar dos meses. “Eles estão acompanhando o nosso trabalho, vendo os vídeos jogos e analisando nossos atletas, tanto que convidaram a nossa atleta Tailane para treinar durante 10 dias na equipe juvenil da seleção brasileira. É um sinal que acreditam no nosso trabalho”, conta.


Sobre uma possível filiação, Clarice destaca que a equipe vem evoluindo aos poucos, e que hoje o Ymborés teria condições de participar da Taça Tupi, que segundo ela, ajudaria a acelerar a difusão do rugby na região sudoeste. “Ajudaria a ter maior visibilidade e apoio nacional. Como há clubes de Sergipe e Alagoas filiados à FRB, o rugby dessas cidades também seriam afetados positivamente, conta”.


Outra equipe que vive expectativa de dias melhores é o Serigy, única equipe do estado de Sergipe. De acordo com a assessoria de imprensa do clube, três times fazem parte do plantel de atletas: masculino, masculino juvenil, e feminino, e que a existência de um cenário na Bahia, com torneios regulares, tanto de XV como de sevens, dá oportunidade de testar o nível da equipe diante dos clubes baianos. “Aracaju não possui grande relação com o rugby ainda, e só disputamos partidas contra os clubes filiados à FRB. Disputar a Taça Tupi requer estar num nível maior, pois reúne atletas de todo o país com mais experiência. Poderíamos, sim, levar um time, mas a questão financeira é um ponto difícil, pois os campeonatos estão todos centralizados no sul e sudeste do país.


Para Manuel Ribeiro, as enormes distâncias percorridas pelas equipes para jogar partidas são um problema real, e que a federação já possui a receita para manter o desenvolvimento das equipes e promover uma cena local com mais torneios municipais e estaduais. “O investimento no modelo de sevens será a chave para o sucesso do esporte no estado. Estamos orientando os clubes para que criem equipes nesta modalidade, somando quatro, número ideal”.

Segundo o presidente da FRB, ao atingir essa quantidade de equipes, se torna possível realizar os inéditos torneios municipais, mais torneios regionais e um estadual de maior proporção, preenchendo o calendário de jogos e amenizando os problemas de logística. “Estruturando essas pequenas ligas, fica possível formar clubes com elenco completo de XV”, demonstra.


Ainda de acordo com Manuel Ribeiro, a criação desse mecanismo de funcionamento, tendo o sevens como base, significa a revelação de jogadores. “Nossa questão não é a falta de competição, mas sim de divisão de base e formação de novos atletas nos clubes. As equipes têm que encontrar formas de garantir o seu próprio futuro. Isso passa pela criação de escolas de rugby juvenil. É nesse particular que estamos desenvolvendo a maior parte das nossas ações”.



CBRU - Durante o processo de apuração, que vem sendo realizado desde agosto, envio de e-mails e dezenas de ligações foram realizadas com o objetivo de obter uma palavra de algum representante da Confederação Brasileira de Rugby, a respeito de suas intenções ou projetos previstos para o esporte na Bahia e Nordeste. Após seguidas tentativas, a equipe da CBRU mencionou que somente o CEO da instituição, o argentino Agustín Danza, poderia falar comigo.


Após insistir, consegui falar com Agustín, que prometeu responder meus questionamentos através de e-mail, coisa que não aconteceu.

Conheça e saiba algumas regras básicas do Rugby XV

TRY


É a principal forma pontuação na modalidade. No rugby, o ato de encostar a bola no gramado do in goal (espaço atrás das traves) adversário significa à marcação de cinco pontos.

Obter o try significa a permissão para que a equipe recém-pontuada ganhe a chance de tentar a conversão. No vídeo, alguns tries das seleções masculina e feminina do Brasil.


CONVERSÃO


A tentativa de conversão ocorre somente após a obtenção do try. O atleta da equipe pontuadora ganha oportunidade de realizar um chute com o objetivo de fazer a bola passar entre os postes e acima da trave que forma um “H”. Em caso de acerto, a equipe ganha mais dois pontos. Assista a conversão do Arapiraca, equipe de Alagoas, contra o Orixás, time que gerou o Galícia Rugby.



DROP GOAL


Existem situações em que a defesa adversária está bem montada, deixando o try mais difícil, principalmente quando o adversário está bem fechado no campo de defesa. Nesses casos, o drop goal surge como alternativa, por permitir que um chute seja realizado com a bola rolando na partida.


O drop goal só é permitido se no momento do chute a bola tocar o gramado antes. Assim como o chute de penalidade, o êxito da tentativa vale três pontos.



LINE OUT


Quando a bola sai pela lateral, é necessário que ela seja recolocada em jogo. No rugby, esse processo se chama line out, quando o atleta arremessa a bola ao alto para as duas equipes entre si disputarem a posse.


De acordo com as regras do esporte, é permitido que oito jogadores tentem o lance. O natural, é que a maioria dos jogadores busquem a bola através do elevador, onde um ou dois atletas são erguidos pelos companheiros.

O lance mostra um line out seguido de try da Nova Zelândia contra a França.



RUCK


O atleta após ser interceptado (tackleado), tem a obrigação de soltar a bola para que ela entre em disputa pelas duas equipes. Em alguns casos a jogada continua através da troca de passes em diagonal, mas em muitos outros o ruck é formado, provocando um emaranhamento de jogadores em busca da posse. O objetivo da jogada é avançar pelo campo de defesa do adversário.



MAUL


O maul se assemelha do ruck, por sugerir a confrontação entre os atletas em busca do avanço até o in goal. A diferença se dá por conta da situação: ruck é com a bola no chão, e maul é quando ela está sob posse de um atleta.


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