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E esse tal de Rugby?

December 13, 2018

Conheça e saiba mais sobre um dos esportes mais antigos do mundo, muito praticado na Bahia

 

“O Galícia vem no setor de ataque. É final do Super XVI. George está sob forte marcação, mas passa para Eduardo. Tentativa de finta... bola passada para o Chileno e capitão da equipe Jonca, que rapidamente encontrou Luiz livre na lateral do gramado... é só correr... e é try. Try do Galícia Rugby. O público presente no Parque Santiago vibra com os cinco pontos da equipe baiana, que larga na frente contra o atual campeão Poli, da cidade de São Paulo. Agora é buscar a conversão e abrir 7x0 na partida”.

 

Se dependesse dos 35 atletas que compõem o elenco do Galícia Rugby e dos jogadores das outras três equipes que disputam o Campeonato Baiano da modalidade, cenas como essa seriam mais comuns por aqui na Bahia.

 

Mesmo sendo pentacampeão estadual e tendo, nos últimos anos, carregado com as mãos as glórias conquistadas com os pés pelo Esporte Clube Galícia, o futuro do time no rugby ainda é nebuloso, porém carregado de esperanças.

 

Luiz Gomes, jogador de 26 anos, que veio do Ymborés Rugby, de Vitória da Conquista, entende que o futuro do esporte no estado está nas mãos da Confederação Brasileira de Rugby (CBRU). “Nossa vontade é que a Federação de Rugby da Bahia (FRB) consiga ser reconhecida como filiada, porque nos permite, quem sabe um dia, disputar a Taça Tupi”.

 

A liga citada por Luiz, criada em 2014, é disputada por oito equipes de cinco estados diferentes, todas das regiões sul e sudeste. O Torneio equivale a segunda divisão do esporte no Brasil; e o campeão, garante vaga direta no Super XVI, primeira divisão.

 

 

 

É importante lembrar que no Super XVI as equipes também são exclusivas das regiões sul e sudeste, tendo representação de seis estados. Somente o Espírito Santo ainda não tem time nas duas divisões.

 

O presidente da FRB e ex-atleta de rugby, o português Manuel Ribeiro, aponta que essa polarização do esporte no sul e sudeste é um dos problemas a serem enfrentados. Para ele, a aprovação da CBRU é uma maneira de democratizar o esporte no Brasil, possibilitando a participação dos times do estado no Super XVI ou Taça Tupi, onde só é possível se a federação estadual for filiada à nacional. “Solicitamos em 2016 nossa filiação, que desde então se encontra em fase de apreciação. Já fomos adiantados que até dezembro deste ano (2018) teremos uma resposta”.

 

 

A corrida pela aprovação já dura dois anos. As últimas ações no estado antes do veredito da CBRU foram as promoções de dois torneios, que ocorreram nos meses de setembro e outubro, o Campeonato Baiano de Union, que reúne 15 atletas de cada lado e foi disputado entre Galícia 41x21 Toruks, na cidade de Cairú - Valença; e a final do estadual de sevens, que reúne sete atletas por equipe, e ocorreu no Estádio de Pituaçu, reunindo diferentes categorias.

 

 

Além das organizações dos torneios, para ter a filiação aceita a FRB desenvolveu uma série de ações administrativas, com o objetivo de estruturar o esporte no estado. As criações da Escola de Árbitros (BahiaRef) e Escola de Treinadores (TreinaBahia) possibilitaram a reorganização de regulamentos e cadastramento de clubes e jogadores com mais rapidez. O reconhecimento da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) em relação a FRB, como entidade de utilidade pública, serviu para credibilizar a federação. “O avanço está aí. Hoje temos clubes masculinos, femininos e 400 atletas cadastrados. Estamos no aguardo do conselho da CBRU, que está analisando esses avanços administrativos e as finais do Baianão”, detalha.

 

Atualmente, o estadual de Rugby XV conta com participação de quatro times de diferentes cidades, rompendo inclusive limites interestaduais: Galícia Rugby (Salvador), Ymborés Rugby (Vitória da Conquista), Serigy (Aracaju-SE) e Toruks Rugby (Porto Seguro), que anualmente se enfrentam em partidas de ida e volta na semifinal, e jogo único na final.

 

 

Na FRB, outras seis equipes de XV ainda são filiadas, mas não jogam o Campeonato Baiano por questões financeiras, logística ou administrativas: Itabuna Rugby Clube (Itabuna), ASA Arapiraca Rugby (Arapiraca), Carrancas (Petrolina), Quibaana (Senhor do Bonfim), Adustina (Adustina) e Caxias (Cícero Dantas).

 

A diretora do Ymborés Rugby e treinadora do time feminino, Clarice Couto, ressalta que o esporte está crescendo na Bahia, mas que ainda opera no modelo amador. Segundo a dirigente, na cidade de Vitória da Conquista, o clube já possui torcida, treina no Estádio Municipal Edvaldo Flores e possui equipes de diferentes categorias. Ela ainda afirma que a difusão do esporte tem gerado interesse da população local em relação ao rugby e ao clube.

 

Clarice ainda ressalta que a relação com a CBRU é amistosa, mas que vem se aprofundando com o passar dos meses. “Eles estão acompanhando o nosso trabalho, vendo os vídeos jogos e analisando nossos atletas, tanto que convidaram a nossa atleta Tailane para treinar durante 10 dias na equipe juvenil da seleção brasileira. É um sinal que acreditam no nosso trabalho”, conta.

 

Sobre uma possível filiação, Clarice destaca que a equipe vem evoluindo aos poucos, e que hoje o Ymborés teria condições de participar da Taça Tupi, que segundo ela, ajudaria a acelerar a difusão do rugby na região sudoeste. “Ajudaria a ter maior visibilidade e apoio nacional. Como há clubes de Sergipe e Alagoas filiados à FRB, o rugby dessas cidades também seriam afetados positivamente, conta”.