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O escritor Tiago Bittencourt fala dos desafios de "O Raul que me contaram"

September 11, 2018

Mais de 25 horas de gravação transformadas em 454 páginas de uma obra que revela as impressões e as histórias de quem conviveu com o “Maluco Beleza”. Podemos assim resumir “O Raul Que Me Contaram – A história do Maluco Beleza Revisitada Por um Programa de TV”, livro de estreia do jornalista Tiago Bittencourt, publicado pela editora Martin Claret. A obra já foi apresentada em Goiânia, Brasília, São Paulo, Florianópolis, Curitiba e, na quarta-feira (22), Bittencourt fez um lançamento especial na Faculdade Social da Bahia, em Salvador, instituição de ensino em que se graduou. A publicação reúne depoimentos de familiares, amigos, artistas e figuras desconhecidas que conviveram com o cantor. Em entrevista a Agência Baiana de Notícias (ABAN), Bittencourt falou sobre o processo de produção, os depoimentos mais marcantes e da influência tão presente das letras de Raul Seixas na sociedade.

 

 

 

ABAN - O livro Raul Que Me Contaram – A História do Maluco Beleza Revisitada Por um Programa de TV é só para quem é admirador do artista?

 

Tiago Bittencourt - Esse livro eu recomendo para que todas as pessoas do mundo leiam, seis bilhões de pessoas e um pouco mais! As pessoas têm feito uma confusão, pois, quando apresentei o livro, eu disse que podia ser encarado como uma biografia ou como uma série de entrevistas, mas não é necessariamente isso. Mesmo tendo as entrevistas de familiares que passaram na vida de Raul e vice versa, não é necessariamente uma biografia. Não é para admirador somente, claro que o admirador vai se deleitar muito mais, mas é para quem gosta de história, comunicação, música... Principalmente para quem gosta de história, pois muitas dessas estabelecem relações que horas convergem e horas divergem e para isso tive de situar, antes de cada entrevista, para contextualizar no universo ‘Seixista’ já que os participantes não sabem de tudo com afinco da vida dele.

 

 

 

ABAN - Você disse, em uma de suas entrevistas, que nem 10% do que foi apurado e descoberto pôde ser mostrado no documentário e por isso veio a obra impressa. Quais foram os principais desafios para transformar o conteúdo do filme em livro?

 

TB - Vou ser bem sincero, o principal desafio foi a autorização da empresa para usar o material. Eu trabalho em uma TV pública e não poderia comercializar uma coisa sem autorização deles. Se, por exemplo, você pega uma imagem desse documentário e passa em uma TV interna não tem problema, no entanto, comercializar envolve um processo mais burocrático e que, no meu caso, levou um ano. Quanto ao conteúdo, eu já tinha mergulhado nesse assunto, já tinha feito a ‘decupagem’ do produto audiovisual e fui transformando na linguagem impressa. No documentário da TV Brasil, o tom é bem analítico e restrito da personalidade, personagem-obra, decadência e legado já que, de um material de 20/30h só podemos utilizar 1 hora para rodar como documentário. Foi bem mais difícil produzir o visual.

 

ABAN - Observando a produção de Raul hoje, pode-se dizer que ele é um músico de múltiplos gêneros?

 

TB - Ele foi um dos primeiros, se eu não me engano, ele era a carteira número 9 do ‘Elvis Rock Clube’ na Bahia. Ele era muito fã de Elvis Presley. O rock esteve sempre muito presente e a vida musical dele iniciou na banda “relâmpago dos rocks”, no entanto, a banda mais conhecido foi “Raulzito e os Panteras”. A capa do disco era uma total releitura dos ‘Beatles’. Depois, quando ele foi para o Rio de Janeiro, pôde ampliar a visão dele de que para dar certo aqui no país teria que migrar para outros gêneros, então ele compôs muito para o brega. A composição “doce, doce amor” é dele, por exemplo. O primeiro disco solo de Raul “ foi uma misturada de gênero de samba ao rock e, uma curiosidade, eles lançaram esse disco escondido do dono da gravadora que não gostou da produção. Ele estava viajando e quando voltou mandou recolher tudo, então o álbum se tornou um raro.

 

ABAN - Dentre as séries de entrevistas que você realizou, qual a que mais te causou fascínio?

 

TB - Todas as entrevistas foram muito bem vindas, mas acho que Cláudio Roberto, amigo e coautor de algumas composições de Raul, inclusive Maluco Beleza que é a grande marca de do cantor, foi composição de Claudio. Atualmente ele mora na região serrana do Rio de Janeiro e vive totalmente recluso. Ele contou uma história que uma vez morreu um traficante dentro do apartamento de Raul quando ele já estava metido com drogas. Alguns jornalistas apareceram lá para questionar o fato, Raul os recebeu com tiros para cima e ficou por isso mesmo, ninguém questionou o maluco beleza (risos). Quando perguntei se quando Raul se foi, morreu o amigo ou artista o ídolo, ele disse “meu amigo” e começou a chorar, deu as costas e voltou rindo dizendo “você já conseguiu sua gota de sangue” e rimos. Ele escreveu o prefácio do meu livro, porém ele não usa internet, me deu totalmente manuscrito e coloquei assim mesmo.

 

ABAN - Após a finalização do projeto, o que mudou na sua visão acerca da vida do compositor e da sua vida profissional?

 

TB - Acho que minha vida mudou muito nesses três anos desde a exibição do documentário, essa parcela de contribuição que eu dei sobre a história da vida de Raul carimbou meu currículo. Se eu pudesse dar essa dica para vida de vocês, procure fazer coisas que vocês são apaixonados, a satisfação pessoal é indescritível. Hoje eu vou para lugares do Brasil para falar de Raul e quando ele tinha morrido eu tinha apenas três anos e agora as pessoas me reconhecem por causa dele. Não ganho dinheiro, mas ganho o carinho de pessoas que nunca imaginei. Eu tenho maior orgulho de ter chegado a isso.

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