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Eles estão reinando

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Pelo menos duas vezes por mês, a advogada Adrianne Correia e o bancário João Victor Alves percorrem os 15 km que separam a casa dos noivos, no bairro de Piatã, até o Xoxo Burguer, localizado na “pracinha” de Pernambués, um dos locais mais movimentados da comunidade. Para o casal, o sabor, o tempero e a variedade das receitas fazem da hamburgueria uma opção diferenciada para quem deseja ir além das redes de fast foods e lanchonetes convencionais. “Com certa frequência ainda vamos ao McDonald’s, mas cada vez mais estamos dando preferência aos hambúrgueres gourmet, devido à qualidade das carnes e variações das receitas de cada estabelecimento”, comenta João Victor.

Para se ter uma ideia da sede, ou melhor, da fome do público, o dono do espaço, Fernando Xoxo, empresário de apenas 25 anos, aponta um fato curioso: a grande maioria dos seus clientes vem de outras localidades. “A maioria se desloca até aqui vindo do Cabula, Brotas, Pituba, Caminho das Árvores e até do Bonfim, Vilas do Atlântico e Cajazeiras. Não sei exatamente o motivo, mas sinto que por aqui em Pernambués seja mais difícil vender a ideia do hambúrguer artesanal, talvez por conta do preço aliado ao aspecto rústico do produto e forte ligação com a cultura urbana, se distanciando um pouco da característica do bairro. Talvez até por isso, bem logo no começo, cogitamos mudar de endereço”.

 

De acordo com Tulio Alencar, proprietário da Muu Hamburgueria, localizada na Avenida Paulo VI – Pituba, e Eco Square - Rio Vermelho, seu público é de jovens entre 20 e 25 anos, majoritariamente das classes A e B, formado por clientes do bairro e entorno. Segundo o sócio do estabelecimento, que cuida do local ao lado do irmão, Felipe Alencar, a diferença está no paladar, as pessoas estão mais criteriosas e atentas em relação à alimentação, enxergando nesses espaços o melhor retorno custo benefício sabor/atendimento.

Mesmo com a dificuldade de atrair os moradores locais, Fernando comemora o crescimento das hamburguerias e o aumento do interesse das pessoas pelo movimento. E de fato, esses estabelecimentos têm se mostrado um ótimo negócio. Os dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) apontam que no Brasil 700 milhões de reais foram movimentados somente com franquias de hamburguerias. Para se ter uma ideia, na Avenida Paulo VI, é possível encontrar além do Muu outros dois espaços do gênero: Amsterdam Prime Burger e Carlota. Nas imediações de Pernambués e Cabula, existem outras três grandes hamburguerias vizinhas do Xoxo Burguer: Detroit Steakhouse, Brothers Burguer e Groove Burger, tudo isso dentro do percurso de aproximadamente 6 km que separam os bairros.

O ramo só cresce: Ainda analisando dados da ABF, no ano passado, o setor de alimentos foi responsável por 34% de todo o movimento de franquias no país, com forte impulsionamento das hamburguerias, que cresceram mais de 30% em relação aos três anos anteriores. Até este mês de agosto, estão funcionando 3735 estabelecimentos de lanches no Brasil, atingindo um público majoritariamente jovem. A Associação de Bares e Restaurantes (ABRASEL) estima que o setor de alimentos represente hoje 2,7% do PIB brasileiro (dados de 2017).

 

Sabor: Fernando Xoxo, conta que todas as receitas do espaço, inaugurado no dia 3 de outubro de 2015, são suas. Além disso, o também cozinheiro profissional faz questão de afastar qualquer comparação entre hamburguerias artesanais e redes fast foods, assim como as lanchonetes. “O conceito do espaço físico e do preparo são totalmente diferentes. A nossa linha prima mais pela qualidade”.

 

Concordando com Fernando, Adrianne Correia confirma que junto com o sabor, a decoração urbana e o atendimento especializado também contribuem. “O fato de comer tomando cerveja e conversando informalmente com certeza atraem, mas realmente o que mais me chama a atenção nas hamburguerias é a qualidade, o tempero e a suculência das carnes”, destaca.

 

O famoso poeta, jornalista e escritor, Millôr Fernandes, define que gastronomia é comer olhando para o céu. De fato ele está certo, mas para não ir para outro plano de forma precoce, é necessário também se atentar aos riscos.

A nutricionista Cláudia Costa entende o valor gastronômico desses alimentos e não poda ninguém. Para a profissional não existe problema em visitar as hamburguerias artesanais, mas que o ideal seria evitar o consumo constante dos alimentos gordurosos, adotando uma dieta mais saudável. “Excesso de gordura prejudica a saúde, contribuindo para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, devido aos níveis elevados de glicose e colesterol no sangue. É preciso estar no controle”.

 

E o alerta está nos dados. A pesquisa Vigitel/Ministério da Saúde, realizada em todo o Brasil em 2016, constatou: 20% da população brasileira está acima do peso. Fazendo um comparativo com 2006, houve um aumento de 61,8% no número de pessoas com diabetes e 14,2% com hipertensão.

 

Essa constatação sinaliza que o país está saindo do ranking da desnutrição a caminho do ranking da obesidade, por comprovar que entre 2006 e 2016 houve um aumento de 110% entre os jovens com o transtorno alimentar. Além disso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em estudo feito em 2017, registrou que 34% dos brasileiros estão gastando com alimentação fora do lar. “É um fato que as pessoas estão se alimentando fora de casa, e isso tem levado as pessoas ao consumo exacerbado dos alimentos gordurosos, práticos, de fácil acesso, e em alguns casos, processados”, explica a nutricionista Cláudia Costa.

 

Para Fernando Xoxo, é importante ressaltar que as hamburguerias trabalham com muita caloria, mas por fazer parte da filosofia do movimento. “Sempre procuramos alertar: é importantíssimo consumir de forma consciente e responsável”.

 

Atento aos dados e a necessidade do público sedento à procura da sonhada alimentação balanceada, Tulio Alencar, da Muu, identificando a demanda, resolveu criar uma opção para os adeptos: envolveu no falafel grão de bico, farinha de tapioca e especiarias, oriundo de fonte de proteína vegetal. “O interessante é que o cliente pode montar seu produto, substituindo o pão, acompanhamentos e a inclusão ou não do queijo”.

 

Cláudia vê com bons olhos, mas ressalta a necessidade de redobrar a atenção, principalmente nos momentos de lazer. “As pessoas gostam de utilizar os momentos de folga para descansar ou se divertir, seja indo ao cinema ou saindo para comer. Então, é importante substituir em alguns casos esse hambúrguer artesanal pelos estabelecimentos que comercializam produtos naturais. No caso de quem fica em casa, pode preparar um sanduíche natural com pão integral, queijo branco, alface, tomate, cenoura ou até beterraba com carne magra”.

 

Os noivos Adrianne e João Victor demonstram estar cientes. “Sabemos que a cada ida às hamburguerias destruímos um pouco da nossa dieta, e que é importante recompensar mudando a alimentação ou indo na academia, o que não tem sido o nosso caso. Resta compensar rezando mesmo”, brinca.

 

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