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Esgotamento físico e mental provoca aumento de depressão entre jovens

October 26, 2017

No mundo, a doença é a segunda principal causa de morte entre jovens entre 15 e 29 anos

 

Autodepreciação, instabilidade de humor, irritação, distúrbios do sono, perda de apetite ou de peso, desânimo e isolamento. Esses são alguns dos sintomas que devem ser observados, com mais atenção, em jovens, podem ser sinais da depressão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é a segunda principal causa de morte entre jovens entre 15 e 29 anos no mundo.

 

Uma pesquisa realizada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, com mais de 176 mil adolescentes, de 12 a 17 anos, e 180 mil jovens, de 18 a 25 anos, entre 2005 e 2014, apontou que 37% dos entrevistados reportaram ter sofrido algum episódio de depressão.

 

Júlia*, 25, é uma das jovens que sofre com o problema. Ela relata que a faculdade foi o estopim para desencadear a doença. “Os professores cobram como se a gente já soubesse de tudo. É muita pressão! No primeiro semestre, veio à primeira reprovação e meus colegas já me tratavam diferente, me olhavam de outra forma, como se eu fosse ‘burra’ e incompetente”, conta a estudante.

 

Considerada o mal do século, a doença tem atingido cada vez mais a população e, ainda de acordo com a OMS, o número de pessoas que vivem com depressão está aumentando – 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo, sendo considerada a principal causa de incapacidade laboral no planeta.

 

A psiquiatra Larissa de Freitas afirma que a depressão pode ser precipitada por outra situação de saúde preexistente, como hipertireoidismo ou a exposição crônica aos corticosteroides como ocorre no tratamento de pacientes portadores de doenças autoimunes. Entretanto, “o mais comum é que ela ocorra sem uma causa bem definida: o indivíduo carrega em seu material genético a tendência a desenvolver a doença e em algum momento da vida, geralmente na juventude, ela vai se manifestar, com ou sem algum gatilho (situações estressoras negativas)”, explica.

 

Confundida muitas vezes com a tristeza, a depressão não é apenas um sentimento passageiro. Segundo o médico psicoterapeuta, Dr. Antônio Pedreira, a tristeza é um sentimento que qualquer pessoa pode ter em algum momento da vida devido aos conflitos, frustrações, decepções, fracassos, perdas, entre outras adversidades. “É normal sentir-se triste, contudo, não é normal que a tristeza dure um longo período de tempo, que ela ‘não passe nunca’”, explica.

 

A doença tem uma sintomatologia muito semelhante, independente da faixa etária, e afeta diretamente o estado de animo. A depressão também pode provocar sentimentos de culpa ou falta de autoestima, transtorno do sono ou de apetite, sensação de cansaço, falta de concentração e está intimamente ligada a esse esgotamento físico e mental do ser humano. Podendo, nos casos mais graves, levar ao suicídio.

 

“A tristeza me consumia e, cada vez mais, eu sentia menos vontade de ir para a faculdade”, relembra Júlia. “Quando algum professor começava a dar algum assunto que não entendia, eu chorava, ficava com um aperto no peito, ansiosa, um sentimento ruim. Quando me dei conta, já havia engordado 30kg e tinha crises de pânico no meio da faculdade. Até começar a ter pensamentos suicidas”, desabafa.

 

A estudante foi quem percebeu que estava doente e resolveu pedir ajuda à família para encontrar uma saída. “Comecei a fazer tratamento com um psiquiatra e a ter acompanhamento psicológico, isso me ajudou muito e quando achei que estava boa, larguei o tratamento e me arrependo, pois acontecem recaídas e a manutenção é fundamental”, conta.

 

Pedreira salienta a importância de manter o tratamento, principalmente os acompanhamentos psiquiátricos e psicoterapeuta. Este último vai ajudar a curar os conflitos internos, porque é preciso observar as causas e os motivadores para que os sintomas não durem dias, meses e anos. Segundo o médico, a maioria das pessoas melhora muito a um curto prazo de tempo se fizer o tratamento adequado. “É importante que a pessoa faça uso de alguma medicação para regular o organismo. Hoje existem muitos remédios bons, eficazes e que têm praticamente zero efeito colateral. Então, o jovem pode fazer uso dos remédios por pelo menos quatro meses, melhorar, fazer o desmame, sem precisar usar resto da vida”, esclarece, o especialista, destacando a importância da consulta ao psiquiatra.

 

Outra alternativa recomendada pela psicóloga e coordenadora do Centro Multidisciplinar de Apoio Pedagógico e psicossocial da Faculdade Social da Bahia, Izaura Furtado, é a realização de atividade física, como ginástica, ou até mesmo alguma prática de relaxamento. A psicóloga explica que cabe a família apoiar o paciente nas situações de fracasso e insucesso, para que não fique com uma grande cobrança em cima de si mesmo, pois, muitas vezes, o primeiro a cobrar é o próprio familiar.

 

“PPP: paciência, paciência e mais paciência, principalmente nos momentos iniciais do tratamento, aceitando o jovem na sua realidade, sem apontar erros, causas externas ou culpa-lo”. Esta é a receita do medico Antônio Pedreira para o familiar ou amigo do paciente.

 

 

*Nome usado para preservar a identidade da entrevistada.

 

 

 

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