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Os odiadores da internet

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Os avanços tecnológicos no campo da comunicação facilitaram o contato entre as pessoas que passaram a compartilhar de forma pública ideias, posicionamentos, estilos de vida. A popularização da internet abriu espaço para que um maior número de usuários pudesse participar deste universo. A interação, seja por meio de Redes Sociais, debates em grupos de discussão ou comentários em páginas noticiosas, possibilitou o encontro das mais variadas pessoas, com pensamentos distintos e muitos vezes contrários.

 

 

Neste universo, propício ao encontro e comunicação de pessoas que mantêm pensamentos diferentes e por vezes trazem suas vidas expostas em redes sociais, costuma ocorrer um processo de interação nem sempre civilizado e pacífico. Críticas negativas, ofensas e até crimes, a exemplo de injúrias e difamações, tomaram conta das Redes. Recentemente, o caso da atriz Thaís Araújo chamou a atenção nacional. Ela foi vítima de injúria racial em sua página no Facebook. As pessoas que agem dessa forma são chamadas de haters. Eles se aproveitam do anonimato que cerca a internet para perseguir e difamar a imagem de outras pessoas, figuras públicas ou cidadãos comuns, e de grupos sociais.

 

A estudante de jornalismo, Kaliandra Larissa, é um exemplo de pessoa comum agredida constantemente de forma gratuita na internet. Ela afirma ter recebido ataques de injuria em seu perfil particular onde foram postados comentários racistas e de intolerância religiosa. Ela acredita que o fato de um hater a ter atacado foi apenas pelo gosto de “fazer maldade com as pessoas”.

 

Os odiadores, na tentativa de não serem identificados, escondem-se por trás de perfis falsos e utilizam computadores de diferentes locais de rede para tentar dificultar a localização dos mesmos. O anonimato acaba sendo um motivador para o aumento destes ataques virtuais.  O fato de estar invisível e apenas mostrar o que se quer encoraja cada vez mais os haters a continuarem a prática dos atos criminosos na internet.

 

Para o advogado Camilo Santos Filho, especialistas em direito civil, estas pessoas costumam se apoiar na Constituição Brasileira que traz em seu texto, como garantia fundamental, o direito a livre manifestação do pensamento, porém não percebem que esse direito não é absoluto. “O individuo pode sim exercer o direito a crítica, o que não pode fazer é ultrapassar a livre manifestação do pensamento e atingir a honra e a imagem das pessoas porque a partir do momento que ele atingiu a honra e a imagem das pessoas, principalmente na internet, ele comete um crime cibernético”.

 

As questões que envolvem o que se passa na mente das pessoas que espalham discurso de ódio na internet, passam pelo campo da psicologia. A terapeuta Tânia Aguiar explica que estes ataques de ódio podem ter relação com a vivência e experiência infantil. “Provavelmente as pessoas que sofrem com o ódio estão representando a figura de alguém, que na lembrança infanto-juvenil de uma pessoa aversiva (o hater), a machucou. Inconscientemente existe uma transferência da energia vivida nos tempos primários, atualizada para o momento atual, direcionado a pessoa que ele destina o ódio”.

 

Para Tânia Aguiar a pessoa tem que perceber que precisa de ajuda e buscar o auxílio de um especialista. “O sofrimento é maior em quem odeia do que em quem é odiado”. Tânia Aguiar defende que o ódio exposto por haters é uma patologia psicoemocional que demanda um trabalho psicoterapêutico e às vezes até com acompanhamento psiquiátrico.

 

Medidas também podem ser tomadas no campo jurídico. “A primeira medida que deve ser tomada é realizar um print da tela no sentido de efetivamente comprovar a ocorrência do crime e logo em seguida se deslocar até a delegacia especializada em crimes cibernéticos e registrar o boletim de ocorrência”. Foi o que fizeram a atriz Thaís Araújo e a jornalista Maria Júlia Coutinho. A ação da polícia resultou na prisão do baiano Tiago Zanfolin, 26 anos, na cidade de Brumado, interior da Bahia.

 

O advogado Camilo Santos Filho destaca o papel fundamental da denúncia para elucidação dos crimes virtuais. "Além de evitar a impunidade, traz ao conhecimento dos órgãos competentes o fato delitivo, conseguindo então mapear e solucionar o caso com rapidez e precisão. Esse é o caminho para a resolução e a queda  no número dos crimes virtuais".

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