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O azeite de dendê é ingrediente básico na produção de sabão em pó e biodiesel

April 29, 2017

 

 

Você sabia que o azeite de dendê, aquele mesmo do acarajé, é utilizado para fazer sabão, sabonetes e sabão em pó? A resposta muito provavelmente vai ser “não”. Todo baiano, por exemplo, conhece o azeite de dendê pelo seu uso na culinária local, mas a lista de utilidades que o azeite possui é longa! O produto é usado na fabricação de vela, na proteção de folhas de flandres, chapas de aço, fabricação de graxas, lubrificantes e artigos vulcanizados. Tem mais! Também é usado para a saúde da pele e cabelo, para produzir detergentes e amaciantes para roupas biodegradáveis, podendo, ainda, ser transformado em combustível, o biodiesel.

 

Para os bolinhos de feijão fradinho chegarem à crocância e àquele aspecto dourado tão conhecido e saboroso, as baianas de acarajé utilizam litros e mais litros de azeite de dendê. Uma saída sustentável e que pode render um dinheiro extra para quem trabalha é a venda do azeite já utilizado. Algumas vendem o litro do óleo queimado por R$ 1,00 (um real) a empresas que produzem biodiesel ou reciclam o óleo para a produção de outros produtos. No entanto, há também quem doe e trabalhe a conscientização, o consumo consciente.

 

Tânia Bárbara, conhecida, em Salvador, como Tânia do Farol, é baiana de acarajé há 23 anos. Nasceu numa família de baianas (a primeira foi a sua bisavó) e desde os 14 anos trabalha no tabuleiro fazendo cocadas e aprendendo a fritar os bolinhos. Mas Tânia do Farol tem um diferencial com relação às demais baianas. Não se trata apenas da tradição ou de um acarajé gostoso. Tânia também faz uma produção consciente. Com um alto gasto de azeite de dendê por semana, entre 20 e 25 litros a depender do movimento, a baiana doa o óleo queimado para reciclagem há 10 anos. “Minha intenção é apenas fazer o descarte correto desses resíduos”. Tânia conta satisfeita que leva essa atitude até seu bairro, onde recolhe e repassa os óleos da vizinhança para a empresa. “Lá onde eu moro, em Cosme de Farias, têm pessoas que vendem pastel, fazem frituras, então eu peço para levar pra minha casa, porque aí eu doo tudo junto. Não acho certo jogar no esgoto nem na pia”, explica.

 

De acordo com a coordenadora estadual da ABAM (Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares), Angelice Batista, ainda não há nenhum regulamento que direcione as baianas como proceder com o descarte correto do óleo. “Nós recomendávamos a doação e até tínhamos um acordo com uma empresa, mas foi finalizado e não fizemos outro” esclarece. A ABAM funciona desde 2000, presta serviços e oferece cursos para quatro mil baianas. A coordenadora explica que um dos cursos desenvolvidos é sobre o que pode ser feito com o azeite após o uso, “nós sugerimos fazer sabão e dar como brinde para os clientes”.

 

Por ser um óleo, não deve ser descartado na pia ou no lixo comum, pois pode ser uma fonte de contaminação para o meio ambiente, podendo poluir as águas, o solo e a atmosfera, gerando também gastos na manutenção da rede de esgoto e de água. Por essa razão, é importante reciclar e descartar corretamento o azeite. Oscar Caetano, químico e mestrando da Universidade Federal da Bahia, explica que os processos para a fabricação de produtos de limpeza e biodiesel a partir do azeite de dendê são simples e diferem em poucos aspectos.

 

Primeiramente, o óleo é coado e filtrado para retirar os resíduos que por ventura ainda possam ter dos processos de fritura. O químico conta que após esse processo, é feita a degomagem, procedimento de adição de um pouco de água ao óleo, e em seguida a mistura é levada para fervura em agitação constante com a finalidade de extrair as gomas, os ácidos gráxicos e as lecitinas, limpando o óleo e deixando-o com uma aparência mais líquida.

 

Feito isso, é colocado na centrífuga. Oscar Caetano explica que a simples diferença em fazê-los é o composto utilizado. “Para fazer sabão em pedra ou detergente, usa o Hidróxido de Sódio (NaOH), conhecido como a soda caustica, e a quantidade utilizada depende da densidade que deseja do produto. Já para o biodiesel, é adicionado ao óleo o etanol ou metanol, derivados do petróleo”, explica. Oscar Caetano salienta que o processo de produção dos materiais de limpeza, com cautela, pode ser feito até mesmo em casa.

 

O azeite de dendê tem origem sagrada, nascida nas cozinhas de santo da África. É resultado da extração das sementes de um tipo de palmeira conhecida como dendezeiro (Elaeis guineensis). E, por ser rico em vitamina A, o óleo contribui para fortalecer a saúde da pele, olhos e no funcionamento dos órgãos reprodutores. Lorena Reis, nutricionista clínica, explica que o óleo é constituído por componentes importantes que auxiliam na antioxidação e que inibem a biossíntese do colesterol e a agregação plaquetária (formação de trombos). O azeite também serve como hidratação e dá brilho aos cabelos quando é aplicado diretamente nos fios. Agora cuidado, o produto não deve ser aplicado em cabelos loiros, devido à sua cor alaranjada, pois pode alterar a coloração dos fios.

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